quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Entre socos e pontapés

Um aluno nosso desferiu um soco na professora de Matemática após uma discussão . Foi impedido de agredi-la ainda mais porque a inspetora de alunos o segurou. A professora fez o boletim de ocorrência, como manda o figurino.
O aluno foi convidado a ficar em casa por alguns dias pela direção (alguma legislação que não sei especificar proíbe a escola de suspendê-lo; a suspensão é camuflada em subterfúgios de discurso como esse). Voltou depois de algum tempo, com a mãe, e, pelo que entendi, a idéia era a de que freqüentaria normalmente as aulas da professora agredida como se nada tivesse acontecido. A professora protestou com a direção, que não conseguiu convencê-la a voltar para a sala de aula com a presença do aluno. Como solução conciliatória, o aluno permaneceu na escola, mas foi deslocado para o período noturno.
Duvido que essas ocorrências sejam isoladas ou eventuais. Acho que a realidade da sala de aula, hoje, é bem parecida com isso. Acho que nossa categoria profissional tem tolerado até demais esse tipo de abuso.

sábado, 9 de agosto de 2008

Algumas primeiras impressões

Eu ando pelas ruas do bairro em que moro (Campo Belo, na cidade de São Paulo). Freqüentemente ouço vozes que me chamam, vejo mãos que me acenam, percebo sorrisos nos rostos dos que me olham. Minha condição de professor me faz referência de várias crianças.
Ser referência não é o mesmo que ser exemplo, ou ser popular. Acho que está relacionado a ser alguém em quem você deposita alguma confiança, ou que você respeita em função de determinado valor. É certo que nós, professores, temos uma condição de poder em relação aos alunos, mas também somos parâmetro imediato e próximo de muitas das avaliações que eles fazem da experiência que carregam. As aulas, muitas vezes, são o único espaço em que eles podem desenvolver, sem a pressão do dia-a-dia, as reflexões acerca de si próprios e de sua condição de estar no mundo. Além disso, parece-me que, para muitos alunos, somos as únicas figuras do serviço público que eles encontram constantemente e com quem têm contato além do profissional (nossa relação com os estudantes é diferente da do médico com os pacientes ou do policial com os cidadãos).
Sinto-me recompensado toda vez que percebo o carinho e o respeito com que sou tratado. Sinto-me reconhecido tanto por meu desempenho profissional quanto pela importância da profissão que exerço. Creio que, se não fosse isso, dificilmente resistiríamos às condições de trabalho que encontramos nas escolas e à necessidade de convivermos diariamente com a violência e a miséria humana em suas diversas configurações.
Tenho comigo que exerço a profissão mais importante da sociedade, e a mais política (no sentido verdadeiro da palavra), sem sombra de dúvida. E penso também que a sociedade brasileira ainda não percebeu a importância dos professores para a construção da cidadania. Quando as crianças nos cumprimentam e nos prestigiam, penso que no futuro, talvez, elas venham a constituir uma sociedade mais atenta a essa questão.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Intenções

Quero usar este espaço para postar textos e notícias sobre a profissão de professor, e contibuir para uma visão mais justa a respeito desse profissional.